A Bahia aumenta em mais de 100% a área das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). Nesta terça-feira (04.02) a empresa Bracell, uma das líderes mundiais em celulose solúvel, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e o Inema assinaram um termo de compromisso criando cinco novas RPPNs estaduais, com uma área total de 3.793 hectares.

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Dentre elas está a Subaumirim Gleba A, em Entre Rios, com 1.607 hectares, que passa a ser a maior RPPN do Litoral Norte do estado. Até então, a maior RPPN da região era a Lontra, com 1.377 hectares, que também pertence à Bracell.

A cerimônia, realizada no gabinete do secretário do Meio Ambiente, João Carlos Oliveira, também contou com a assinatura de mais 2.071 hectares junto a Fazenda Reunidas, totalizando 5,8 mil hectares, equivalente a mais de cinco mil campos de futebol, o dobro do que já foi criado até o presente momento.

De acordo com Bruno Félix, gerente sênior Bracell Florestal Bahia, a empresa faz um planejamento estratégico sempre valorizando o meio ambiente e as comunidades localizadas no entorno do negócio, sendo este um pilar decisivo para o sucesso do trabalho. “Estamos assinando 3.793 hectares, e já está em tramitação junto à Sema e ao Inema outros 2.768 hectares adicionais. No futuro breve teremos ao todo 8.170 hectares de RPPNs. A nossa responsabilidade com o meio ambiente é proporcional à seriedade dos nossos negócios. Produzimos na Bahia celulose solúvel especial com um grau de pureza muito alto, sendo um dos líderes globais no segmento, conseguindo ser competitivo em mercados como a China”, ressalta Félix.

Os espaços naturais da Bracell integram os 60.600 hectares destinados pela empresa à preservação e recuperação dos remanescentes de matas nativas em suas propriedades. Esta área preservada, que corresponde a cerca de 40% do total das propriedades, é o dobro do que determina a legislação ambiental brasileira. As novas RPPNs da Bracell assinadas ontem são a Lua Alta (605 ha), no município do Conde, Falcão (937 ha) e Japurá (534 ha), em Esplanada, e Subaumirim Gleba A (1.607 ha) e Subaumirim Gleba B (107 ha), em Entre Rios.

Para o secretário do Meio Ambiente, além de representar um novo marco, o acordo é muito significativo, não só pela quantidade, mas pela qualidade e posição estratégica. “No momento em que o mundo discute aquecimento global e questões climáticas, essa parceria é um início muito importante para 2020. Essas RPPNs são um estímulo muito forte, representam muito para nós e estamos sempre abertos ao diálogo. Portanto, a gente precisa transformar o meio ambiente em uma pauta e imagem positiva. Os grandes fundos de investimento estão dizendo que só investem no Brasil depois que discutir a imagem ambiental. Tenho certeza que contaremos com o apoio de vocês”, afirma. Para a diretora-geral do Inema, Márcia Telles, “a RPPN é um instrumento poderoso de conservação e biodiversidade. O Inema fica muito satisfeito porque ela é uma iniciativa do empreendedor, não é uma coisa impositiva”, felicita.

RPPN Lontra

A RPPN é uma unidade de conservação de domínio privado que possibilita a preservação da biodiversidade. Nessas áreas são permitidas atividades de pesquisa cientifica, de educação ambiental e visitação turística. Localizada entre os municípios de Itanagra e Entre Rios, a RPPN Lontra, de propriedade da Bracell, abriga centenas de espécies da fauna e flora silvestres, muitas delas raras e ameaçadas de extinção.

É o único posto avançado de Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), pertencente a uma empresa privada e reconhecida pela Unesco como um dos 10 postos avançados da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

O trabalho de monitoramento da Bracell já identificou no local 181 espécies da fauna, entre mamíferos, anfíbios, répteis e aves, e ainda 113 espécies da flora silvestre. Dentre elas, estão a surucucu pico-de-jaca (Lachesis muta), a maior serpente peçonhenta das Américas, podendo atingir até 4,5 metros, e também o briba de folhiço (Coleodactylus meridionalis), o menor lagarto do mundo.