Através de portaria publicada no Diário Oficial, a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) divulgou todo o cronograma do processo eleitoral para escolha dos membros do Conselho Estadual de Cultura (CEC). Com a alteração, a eleição aconteceu nos dias 29 e 30 de julho, seguida da apuração dos eleitos no dia 31. Ao todo 77 candidatos se inscreveram, no processo de seleção alguns foram reprovados, restando apenas 53 para a disputa. Táta Ricardo Tavares, Conselheiro de Cultura de Camaçari, estava entre eles e acabou conquistando o 1º lugar nessa eleição, com 468 votos, a maior votação da história do Conselho de Cultura do Estado da Bahia, quantidade que ninguém nunca obteve.

Foram votos de várias regiões, de vários territórios, vários municípios, o que qualifica ainda mais a aceitação da representatividade dele para o colegiado no segmento de Patrimônio Imaterial. “O que me levou a participar da eleição foi o compromisso, na verdade foi um chamado, foi uma determinação de três pessoas, de três cidades diferentes, que no mesmo dia me ligaram pedindo para me inscrever, eu nem sabia. Então eu disse: isso é um chamado ancestral e eu vou atender, e se tiver de ser vai ser, e foi e foi bonito porque foi desse jeito” disse Táta.

Foram eleitos 20 novos conselheiros de cultura da Bahia, sendo 10 titulares e 10 suplentes, todos com mandatos de quatro anos.

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Importante destacar que para votar, todos os eleitores também passaram por uma seleção, fizeram as inscrições com apresentação de documentação comprobatória de atuação na área, e assim, a comissão habilitou quem poderia participar. A eleição ocorreu a partir das 00h de quarta-feira (29) até às 23h59 de quinta-feira (30), por meio da plataforma digital da Secult/Ba. Todo o processo foi acompanhado pela Comissão Eleitoral, responsável pela validação e homologação de candidatos e eleitores. A apresentação preliminar dos eleitos, após apuração, foi no sábado, dia 1º de agosto, com prazo de recursos válido do dia 03/08 até dia 07/08. Conforme Diário oficial, a homologação está prevista para dia 17 de agosto.

Sem partido político, Tata Ricardo Tavares contou à nossa reportagem que, apesar da votação histórica, não pretende ser presidente do Conselho de Cultura do Estado, quer se dedicar ao Terreiro de Lembá, localizado no Parque Real Serra Verde, Estrada da Cascalheira, em Camaçari. “Quero me dedicar ao meu terreiro, mas tenho pretensão de representar com dignidade o meu povo, todos os povos que necessitam de verdade e estarei lá para poder somar, para poder multiplicar a cultura porque cultura é vida”.

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Com trajetória histórica de mais de duas décadas, o sacerdote, foi o primeiro conselheiro eleito de cultura no município de Camaçari. Também foi presidente do Conselho da Cultura local, onde apresentou muitos projetos e teve as contas aprovadas, tanto pela sociedade civil, quanto pelo conselho e pelo tribunal de contas. “A minha história de ajuda, de prestação de serviço, de amizade, de acolher, de cuidar de todos e de seriedade, reverbera por todo o estado, um exemplo disso foi vários territórios votarem em mim, inclusive territórios que tinham seus próprios candidatos deixaram de votar nos seus para votar em mim, porque eu passo confiança e seriedade” ressalta ele.

Quando perguntamos à Táta Ricardo sobre projetos para o Conselho Estadual, ele responde: “Meus projetos é a valorização da cultura, a valorização do patrimônio, valorização da nossa memória em especial a valorização do povo, porque sem povo não se faz cultura. Precisamos valorizar os agentes e as agentes culturais, precisamos valorizar as fazedoras e fazedores de cultura porque é esse povo que faz cultura, se a gente perde esse povo a gente perde identidade, a gente perde memória, a gente perde saberes, a gente perde os fazeres, a gente perde os falares, a cultura deixa de existir. Então, meu maior compromisso será em cuidar, acolher e promover a salvaguarda do meu povo, porque cuidando do povo estou cuidando da cultura. Meu lema é “Porque Cultura Importa”.

Sobre o Conselho Estadual de Cultura da Bahia:

Composto por 60 conselheiros (30 titulares e 30 suplentes), o Conselho Estadual de Cultura do Estado da Bahia (CEC-BA) é um órgão colegiado da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), de caráter normativo e consultivo, ligado diretamente ao Gabinete da Secretaria, que tem por finalidade contribuir para a formulação da política estadual de cultura. Os Conselheiros de Cultura da Bahia são representantes da sociedade civil reconhecidos por suas expressivas contribuições à cultura baiana. A composição do Conselho Estadual de Cultura (CEC) respeita a Lei Orgânica de Cultura, sendo composta por 2/3 de seus membros oriundos da sociedade civil e 1/3 do poder público. Os conselheiros não possuem vínculo empregatício com o Governo do Estado.

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