“Estou muito arrependida. Não verifiquei a regularidade nem o registro do suposto médico veterinário e acabei perdendo minha cachorra”, afirmou Gilceany Falcão, 39 anos. A moça que levou a cadela Moana, de 1 ano, a um mutirão de castração, gastou cerca de R$ 3 mil reais em procedimentos pós-operatórios por conta de uma cirurgia mal realizada.

De acordo com um levantamento do Conselho Regional de Medicina Veterinária da Bahia (CRMV-BA), o número de denúncias contra veterinários aumentou em 500% em relação a um registro feito há uma década no estado.

O levantamento foi divulgado pelas redes sociais do Conselho, significando que em 2008 foram realizadas 3 denúncias relativas a médicos veterinários, já no ano de 2018, elas corresponderam a 18. Dentre essas, está a ocorrência registrada por Gilceany Falcão que levou a cachorra a um mutirão de castração não autorizado no bairro de Cajazeiras, em junho do ano passado.

Arrependimento

Ela conta que se arrepende muito de não ter feito as devidas verificações com antecedência, pois um dia após o procedimento feito na pet, ela percebeu que o animal não estava bem. O local do operatório estava muito inflamado e expelindo secreção, fazendo com que Gilceany a levasse a um outro especialista. A surpresa veio logo na primeira consulta: a cadela estava com uma infecção contraída devido ao procedimento cirúrgico realizado irregularmente na cadela que uma semana depois veio a óbito.

Sobre isso, o coordenador do Programa de Residência em Reprodução Animal e Obstetrícia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Rodrigo Bittencourt, afirma que a Escola de Medicina Veterinária tem recebido cada vez mais animais necessitados de correções cirúrgicas.

“Isso acontece devido a má atuação de alguns médicos veterinários, às estruturas inadequadas e à grande quantidade de procedimentos em um só dia feitos por um só profissional”, ressaltou o representante, afirmando que os mutirões precisam de uma autorização do Conselho e que as pessoas precisam se atentar a isso.

Conselho

O CRMV-BA não é contra os mutirões de castração, e é isso que reforça o presidente da instituição, Altair Santana de Oliveira. “É preciso que o Conselho tenha acesso ao projeto e realize as devidas verificações. Depois de tudo analisado e aprovado, o Conselho faz a liberação da atuação”, comentou o presidente do CRMV.

Ele acrescentou que a proposta precisa ter o registro de um médico veterinário e que todo o suporte técnico e estrutural necessário deve estar disponível para qualificar a realização dos procedimentos.

Altair ainda orienta que as pessoas se informe sobre a regularização do veterinário junto ao conselho, verifique se ele realmente tem registro para atuação e analise a estrutura do local onde o pet será levado.

Caso um profissional realize um procedimento de maneira negligente, é preciso que o cliente entre em contato com o CRMV-BA para efetivar uma denúncia.

Para isso, é necessário que ele entre no site (www.crmvba.org.br) e preencha um formulário. A autarquia analisará a denúncia e tomará as providências.

De acordo com o presidente, as penalizações aos veterinários vão desde advertência e cassação do registro à aplicação de multa, as quais variam de R$ 900 a R$ 3.000.