O presidente do PSD baiano, senador Otto Alencar, endossou as críticas do colega de Parlamento e partido Angelo Coronel, sobre a estratégia do governador da Bahia, Rui Costa, nas eleições municipais. Coronel, em entrevista ao jornal A Tarde, disse que o petista deveria “baixar a bola” e ser “mais humilde”.

“O que aconteceu foi uma rapinagem dentro da base. Cada candidatura ficava rapinando a outra e, coordenada pelo governador, a partir do momento que ele foi às praças abraçando uma única candidatura e relegando as outras que sempre fizeram parte do seu arco de aliança. Serve de lição essa eleição, para o governador Rui Costa, que ele não tem esse poder todo de ter o eleitor ao seu lado simplesmente por aparecer em uma televisão e pedir com clemência, quase chorando, o voto para sua candidata”, declarou Coronel.

“Espero que o governador caia na real, baixe a bola, seja humilde, para recompor o arco de aliança. Porque se não, vai acontecer o que aconteceu com outros tidos como os maiorais no passado e que afundaram pelo excesso da vaidade, pelo excesso da autossuficiência e por se achar o imbatível. A humildade sempre deve prevalecer em qualquer circunstancia”, concluiu o senador baiano.

Otto disse respeitar o colega, mas não deixou de reforçar as críticas. “Respeito a posição [do senador Angelo Coronel]. Tem que ser respeitada, ele contribuiu muito para o partido, com o governo. Ele tem suas razões. O governador discordou, faz parte da política. A estratégia, traçada por Rui, não teve vitória, deixou a desejar, não foi correta. Temos integrantes do próprio partido que foram prejudicados pela ação do governo”, opinou ao Metro1.

Otto ainda citou a inauguração da duplicação do Hospital Municipal de Jaguaquara. Segundo o senador, o vice-governador João Leão (PP) e o secretário da Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, participaram da cerimônia, na última sexta-feira (13), antes das eleições, o que, segundo Otto, favoreceu o candidato do PP na cidade. “Perdemos por 48 votos. O governador tinha me dito que não permitiria inaugurações para não ter desequilíbrio eleitoral”, completou.

Apesar das críticas, o presidente do PSD-BA disse que espera uma reunião com o chefe do Executivo estadual para aparar as arestas.